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Os Himbas
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- Categoria: Artigos
- Publicado em Sábado, 11 Junho 2011 18:09
- Escrito por Rosany ti Yémònjá
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No século XV, os Herero saíram da Etiópia com os seus rebanhos, e deram início a uma extensa viagem para sudoeste em busca de pastos e sobrevivência, atravessaram a África até ao norte do atual território da Namíbia, onde se fixaram nos séculos XVII e XVII com as suas mulheres de invulgar beleza - os olhos amendoados e cintilantes, o sorriso enigmático, a cabeça enfeitada por artísticos penteados, e procederam sem delongas à conquista das áreas mais fecundas.
O Deserto de Moçâmedes, ou Deserto do Namibe, é um dos desertos mais antigos do mundo, mas as praias, baías e ilhas que os navegadores portugueses mapearam há séculos, já não existem.
Este deserto singular, onde a Corrente fria de Benguela transforma o ar quente em névoa, permite a sobrevivência de espécies raras de plantas, que alimentam elefantes, girafas e antílopes. Uma das plantas mais fabulosas do deserto do Namibe é a Welwitschia Mirabilis, apelidada por Charles Darwin de "ornitorrinco do reino vegetal" que vive até 2 mil anos só com a névoa matinal. Outra planta que sobrevive bem às duras condições do deserto é o melão !nara, com sua raiz de 40 metros de profundidade.
Há 80 milhões de anos que, a areia depositada ao longo da Costa do Esqueleto, redesenha mapas todos os dias, construindo dunas que chegam a ter 300 metros de altura e estão entre as as mais altas do mundo. O único povo que consegue habitar esta terra, das mais inóspitas de África, é o povo Himba, o povo seminômade das Mulheres de Vermelho.
Os Himbas são um povo de pastores semi-nômadas, um dos menos tocados pelas garras da civilização ocidental. Fixaram-se ali mesmo, nas terras desérticas e montanhas áridas do noroeste do país; algumas tribos passam a fronteira com Angola, ocasionalmente. As casas em que vivem são feitas de argila e excrementos de gado. Tudo se aproveita...
A tribo Himba, é uma das mais fascinantes de África. É um perfeito matriarcado. Aí quem mandam são as mulheres. Elas são as donas dos filhos, das casas, do gado e de todos os apetrechos que existem nas aldeias.
Vivem na Namíbia e em parte do Deserto do Namibe em Angola. São criadores de gado excecionais. Sabem tanto de gado como os Massai do Kenia ou os Dinkas do Sudão.
A primeira impressão é a de que por ali o tempo parou. Mulheres nuas e suas longas tranças, corpos pintados com uma tinta naturalmente vermelha e muitos adornos. Elas amamentam bebês, riscam gravetos para fazer fogo e cozinham em panelas de ferro. Este povo manteve as tradições centenárias quase intactas, ainda que os que habitam a Namíbia tivessem sofrido a influência dos missionários e da voragem do progresso. Uma dessas tradições é o hábito das mulheres de cobrirem o corpo com um óleo avermelhado, mistura de banha de boi com uma pedra local, espécie de argila, que protege a pele do vento e do sol, bem como o dos penteados sumamente elaborados, enfeitados com peças de couro de metal, também eles untados com a mesma mistura, fazendo-as despender todos os dias várias horas a cuidar da sua beleza. São elas quem mais impressiona, pelo porte altivo. Começam o dia a fumar nuns cachimbos curiosos. Peritas na arte do “coquetismo”, elas são a alma da tribo, porque mantêm a economia das suas casas e criam os filhos à sua maneira, com um carinho desvelado. São belezas africanas que muito teriam a ensinar aos entendidos, no campo da cosmética, quanto aos segredos de como possuir uma pele lisa, aveludada, e sem defeitos.
Vestem-se com peles rusticamente curtidas, sem nunca querer usar qualquer peça de vestimenta europeia. Quando os missionários alemães, lhes quiseram fazer ver a "vergonha" de andar vestidos assim, os Himbas retiraram-se para o mais profundo do deserto, e assim, não se deixaram contaminar com a ridícula forma de pensar dos missionários, que nunca entenderam que a religião que lhes estavam impondo, ia acabando ou modificando as suas ancestrais raízes.
Alguns homens, hoje, já andam com roupas ocidentais mas as mulheres ainda vestem e pintam o corpo à maneira tradicional.
As mulheres Himba dispendem todos os dias várias horas a cuidar da sua beleza. As himba também comandam uma sociedade poligâmica, em que cada mulher pode ter relações sexuais com vários homens. São muito coquetes, na hora de escolher o seu homem. Se convidam uma pessoa a viver uns dias na sua aldeia, elas são possessivas e querem que o homem as acompanhe sempre, até a ordenhar as vacas. Muitas vezes de brincadeira agarram a teta da vaca e espremem até atirarem um chorro de leite contra o acompanhante. Isso é um sinal de que ele entrar na sua vida e que é bem-vindo, em todo o sentido da palavra.
Os Mucubais e os Himbas, são praticamente a mesma raça. Ambos são povos negros bantos do Grupo Herero que engloba vários subgrupos, incluindo o Himba, o Ova himbaaaaaaaa, o Ovatjimba o Ovambanderu e os vaKwandu, grupos em Angola incluem o vaKuvale, vaZemba, Hakawona, Tjavikwa e Tjimba (herero pobres). Apesar de divididos em diversos subgrupos, estes povos possuem o mesmo idioma herero, além de português em angola, inglês em Botswana e inglês e africâner na Namíbia.
Secos, altivos e ferozmente independentes, eles desconhecem fronteiras e circulam livremente entre os países e vagam pelo deserto como os leões e os elefantes, chegando a caminhar até 80 quilômetros em busca de água para o gado. Tanto esforço vale a pena: o gado bovino é o principal símbolo de status de uma família himba, e seu roubo é punido com a morte. A carne é reservada apenas para eventos especiais, como casamentos e funerais. Quando um himba morre, mata-se uma parte de seu gado e as cabeças são empilhadas ao lado da sepultura, para proteger o seu espírito. Nas aldeias himba, há sempre um curral no meio, vigiado pelo fogo sagrado chamado okuruwo. Os feiticeiros usam-no para comunicar com os ancestrais.
Presentemente estas belíssimas tribos em vias de extinção, fazem parte do roteiro turístico de quem visita o Deserto do Namibe e continua viagem até à foz do Rio Cunene e norte da Namíbia.
Compilado por Rosany ti Yémònjá
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