Segunda, 21 Mai 2012

Samba

   Ekamba – Samba - Semba

 

   Entendida a África como uma parte histórica do globo terrestre, pode-se falar em mais de 2000 anos do samba.

   A expressão “samba”, é uma forma verbal de alguns dialetos africanos. Para os Bacongos (povo do norte de Angola), semba¹ é o imperativo do verbo Cusamba, e, para os Kimbundos (povo da região centro-oeste de Angola), é o infinito do mesmo verbo.

 

   Constata-se que os verbos em dialetos africanos, não tem terminação em “r”, na sua maioria terminam com a vogal “a” ou com o hiato “ia”. O verbo sambar é uma das tentativas de aportuguesar os dialetos africanos. O fato tem ocorrido de forma espontânea e natural entre as partes em contato. Neste caso podemos realçar uma destas palavras dos dialetos africanos, aportuguesadas no Brasil: “Bunda”, que significa para os Bacongos “embrulhozinho”, “pouquinho”, “presente”... e, para os Kibundos, “nádegas”.

   O Ekamba” ou “Ecamba” seria o nome da dança conhecida como samba; neste caso teremos que ultrapassar as barreiras culturais e do tempo, procurar entender a religiosidade dos povos africanos antes e depois do século XV, período em que os europeus se vêem livres do cerco árabe , dando origem ao mercantilismo.

   Antes de mais nada, se deveria conceituar o Ekamba como um dos movimentos físicos mais praticados no ritual africano, tanto faz se para revelar felicidade ou agonia. Caracteriza-se por um movimento conhecido pelos Bacongos como “mytiengo” – um dos movimentos físicos que os Bantos fazem em atos conjugais, e, resume-se em rebolar os quadris. São feitos em quase todas as danças de origem africana, e, quando feitos com perfeição e entrega tornam-se realmente excitantes.

 

   Os Bantos, quando o assunto é falar com Deus, rezar - sambar, faziam uma roda embaixo de um “njiango” (uma sombra artificial), onde seus tambores soavam o ritmo “kitolo” (lamentação). Daí suas mulheres faziam o Ekamba (sacudiam os quadris e o corpo todo como se tirassem poeira do corpo e os piolhos das cabeças). Na oração, para os bantos, não é concebível estar sentado ou de joelhos, mas sim, dançando, se é que tais movimentos possam ser tidos como dança, Se for,, não é qualquer dança, é simplesmente a Ekamba. Até porque entendê-la tão somente como dança, é deturpar os fatos, heresia, e não se pode negar que os movimentos rituais não sejam sensuais. Porém, não constituem argumento suficiente para tê-los como dança.

   Este conceito de oração “dançada”  não foi apagado pelos colonizadores, tanto que, hoje a própria igreja católica admite em suas celebrações alguns ritmos e rituais de celebração africana (a.c.), que se encaixam na primeira e terceira parte da celebração dominical.

 

   Provavelmente, o episódio do Ekamba à Samba tenha ocorrido a 400 anos. Hoje, com mais facilidade, se pode montar o cenário do colapso, se bem que não se tem referencia exata do tempo ou espaço. Possivelmente algum senhor, ao alguém da família, tenha visto seus escravosrezarem e a pergunta não teria sido outra senão: “o que estão fazendo”. E, como eles não poderiam tampouco, teriam o porque de se envergonhar do ato, certamente afirmaram estar rezando, portanto estavam a sambar. Para o senhor (colonizador), sem sombras de duvidas, a expressão samba significou dançar. Visto que os escravos faziam o Ekamba.

   Para qualquer ocidental da época, tais gestos não passavam de uma manifestação de Angola. Uíuge, habitado pelos Bacongos, conserva uma tradição milenar:_quando se perde um ente querido, seus parentes e amigos se reúnem em volta do cadáver fazendo soar o ritmo Kitolo². Os presentes começam a sambar para que Deus tenha em seus cuidados o ente querido. Normalmente a dança começa ao pôr-do-sol e termina ao amanhecer, momento do sepultamento. Os movimentos feitos e os ritmos executados, assemelham-se ao samba brasileiro.

 

   O Samba

 

   Oficialmente o primeiro Samba brasileiro foi gravado em 1917 com o título de "Pelo Telefone" e sob a autoria do músico carioca Donga. Hoje, o samba é tido pelos brasileiros como o ritmo nacional por excelência, pois além de representar uma das principais manifestações populares brasileiras, faz parte da identidade nacional.
    Esse ritmo também é responsável por uma das maiores festas do país, que mais do que uma simples festa, é um verdadeiro momento de libertação em todos os quatro cantos do país, para todas as classes sociais. Muito mais do que festa e dança, o samba pode ser entendido como o compasso da vida do brasileiro – que “samba” para sair das mais difíceis situações.

   Graça, felicidade, alegria, liberdade, agonia e tristeza – o samba consegue contemplar praticamente todos os momentos da vida.

 

 

   Compilado por Rosany ti Yémònjá

 

¹A palavra Semba significa umbigada. O cantor angolano Carlos Burity defende que a estrutura mais antiga do semba situa-se na Massemba (umbigada), uma dança angolana do interior caracterizada por movimentos que implicam o encontro do corpo do homem com o da mulher: O rapaz segura a moça pela cintura e puxando-a para si ate que os corpos se encontrem. Jomo, outro musico angolano, explica que o atual Semba (genero musical), é resultado de um de fusão da guitarra com segmentos rítmicos diversos, calcados na percussão, o elemento base das culturas africanas.

²Kitolo é considerado o estilo característico dos Bacongo, povo do antigo reino do Congo, ritmo tocado tanto para demonstrar tristeza, quanto para acompanhar preces, lamentações e sátiras. É muito tocado nos velórios ao norte de Angola.