Segunda, 21 Mai 2012

A dispersão dos macacos

       Antigamente, os macacos viviam num único grupo. Moravam num deserto onde não havia alimentos. Meteram-se, então, aos campos dos homens, para roubarem comida; mas os donos guardaram-na. Vendo isso, os macacos combinaram o seguinte:
    "Tomemos uma macaca, cortemos-lhe o rabo, transformêmo-la, façamos dela uma mulher para que casem com ela, tenha um campo e nós aí poderemos comer".
    
    Agarraram numa macaca, cortaram-lhe o rabo e fizeram dela uma mulher. Um homem casou com ela e as pessoas abriram-lhe um campo muito grande. Depois de o marido preparar a terra, homem e mulher quiseram semeá-la, mas ela afirmou que podia fazer esse trabalho sozinha.
    Quando o foi semear, entoou esta canção:

    Macacos, macacos,
    Mueé, mueé
    Vinde semear o milho

    Eles ouviram-na. Semearam o milho e comeram o que sobrou. Mal se criaram as maçarocas, os macacos chegaram de novo para as comer, mas o marido afugentou-os com a espingarda.
    Chegou o dia da colheita. Marido e mulher levaram o milho para casa. Os macacos ficaram furiosos e resolveram colar novamente o rabo à macaca. Levaram o rabo e iam cantando assim:

    Andemos depressa
    entreguemos o rabo à dona

    Ao ouvirem esta canção, as pessoas ficaram surpreendidas. Os macacos chegaram a cantar e, encontrando a mulher deitada no chão, puseram-lhe o rabo, e logo ela se transformou em macaca, como dantes.
    A aldeia estava cheia de macacos, mas, quando os homens pegaram nos arcos e nas espingardas, os macacos dispersaram, dois para um lado, três para o outro, e nunca mais se reuniram.

    Por isso há macacos em toda a parte.

    Nota: O macaco mesmo coberto com a pele dum carneiro é sempre um macaco.

    Contos Moçambicanos: INLD, 1979.