Segunda, 21 Mai 2012

A hiena, o lagarto e a amizade

    A Hiena estabeleceu relações de amizade com o Gala-Gala.

    Um dia, a Hiena preparou cerveja e foi chamar o seu amigo lagarto:

    — Vamos beber cerveja, amigo.

    Foram. O Gala-Gala embriagou-se. Perguntou à sua amiga Hiena:

    — Amiga, tu que gostas tanto de carne, se me encontrares morto no caminho, és capaz de me comer?

    — Não, isso nunca. Eu quero ser tua amiga.

    O lagarto percebe que para fazer o convite a hiena o chamara de amigo, mas para responder, dissera querer ser sua amiga. Devia ser o efeito da cerveja, pensou Gala-Gala.

   

    O lagarto seguiu a beber até que embriagou-se muito e despediu-se:

    — Amiga, vou para minha casa.

    — Está bem.

    O Gala-Gala partiu. A meio do caminho, deitou-se a dormir.

    A Hiena pensou: "O meu amigo bebeu muito. É melhor ir ver se ele chega bem a casa". Encontrou-o no caminho, deitado. Levantou-o:

    — É sono, amigo? É embriaguez?

    Segurou-o, virando-o. O lagarto calou-se, sem respirar. A Hiena agarrou nele e atirou-o para o mato. Depois saiu do caminho, foi ver onde é que o Gala-Gala tinha caído e encontrou-o.

    — O meu amigo morreu.

    Cortou lenha, fez fogo, e agarrou no lagarto para o assar na fogueira. O Gala-Gala, sentindo o calor do fogo, bateu com a cauda nos olhos da Hiena e subiu, depressa, para uma árvore.

   

    A amizade entre eles acabou ali. O Gala-Gala passou a viver nas árvores e a Hiena continuou a andar no chão, para nunca mais se encontrarem.

 

   Nota: Ser esperto é ter lume nos olhos. A esperteza indica atenção nos detalhes das coisas; é estar atento à Natureza, pois nela encontramos as respostas para todas as coisas. Se quiser saber o final, preste atenção no começo...

 

   Contos Moçambicanos: INLD, 1979.