Segunda, 21 Mai 2012

Batuque

   Batuque é um dos Rituais sob os quais pratica-se a Religião Afro-brasileira de culto aos Orixás. O Batuque é originário do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, de onde se estendeu para outros estados brasileiros e também a  países vizinhos tais como Uruguai e Argentina.
   O Batuque é fruto de religiões dos povos da Costa da Guiné e da Nigéria, com as nações Jêje (Daomeanos), Nagô (Yorubanos) predominantemente Ijexá e Oyó, e, Cabinda(hoje  distrito de Angola). Os primeiros ditos Sudaneses , os últimos com alguma influência dos Bantos.

 

   História

   A estruturação do Batuque no estado do Rio Grande do Sul deu-se no inicio do século XIX, entre os anos de 1833 e 1859 (Correa, 1988 a:69). Tudo indica que os primeiros terreiros foram fundados na região de Rio Grande e Pelotas. Tem-se notícias, em jornais desta região, matérias sobre cultos de origem africana datadas de abril de 1878, (jornal do comércio, Pelotas). Já em Porto Alegre, as noticias relativas ao Batuque, datam da segunda metade do século XIX, quando ocorreu a migração de escravos e ex-escravos da região de Pelotas e Rio Grande para Capital. Os rituais do Batuque seguem fundamentos, principalmente das raízes da nação Ijexá, proveniente da Nigéria, e dá lastro as outras nações como o Jêje do Daomé, hoje Benim, Cabinda (enclave Angolano) e Oyó, também, da região da Nigéria.O Batuque surgiu como diversas religiões afro-brasileiras praticadas no Brasil, tem as suas raízes na África, tendo sido criado e adaptado pelos negros no tempo da escravidão. Um dos principais fundadores do Batuque foi o Príncipe Custódio de Xapanã.

   O nome batuque era dado pelos brancos, sendo que os negros o chamavam de Pará. É da junção de todas estas nações que se originou esta cultura conhecida como Batuque, e os nomes mais expressivos da antiguidade que, de uma maneira ou de outra, contribuíram para a continuidade dos rituais foram:•     Ijexá — Paulino de Oxalá Efan, Maria Antonia de Assis (Mãe Antonia de Bará), Manoel Matias (Pai Manoelzinho de Xapanã), e Pai Idalino de Ogum entre outros. •     Oyó — Mãe Andrezza Ferreira da Silva, Pai Antoninho da Oxum, Mãe Moça de Oxum e Tim de Ogum, entre outros. •     Jêje — Mãe Chininha de Xangô, Príncipe Custódio de Xapanã, JoãoCorrea de Lima (Joãozinho de Bará) responsável pela expansão do Batuque no Uruguai e Argentina. •     Cabinda — Waldemar Antônio dos Santos de Xangô Kamuká. 

Os orixás cultuados são os mesmos em quase todos terreiros, os assentamentos tem rituais e rezas (erís) muito parecidos,  as diferenças entre as nações são basicamente no que diz respeito as tradições próprias de cada raiz ancestral, o ritmo dos tambores, a ordem em que são entoados os erís, como também podem ocorrer variações no preparo de alimentos e oferendas sagradas.

Entretanto todas elas tem muito em comum como por exemplo: o não abrirem curas, a não raspagem da cabeça, a não catulagem, o não adoxar.  Cada Babalorixá ou Iyalorixá tem autonomia na prática de seus rituais, não existem nomenclaturas de/e cargos, como tem por exemplo no Candomblé. O Babalorixá ou a Iyalorixá exercem plenos poderes em seus ilês, os filhos de santo se revezam nos cumprimentos das obrigações.

 

   Nação Cabinda


   A nação Cabinda, originária de Cabinda, hoje um estado de Angola, adotou o panteão dos Orixás Iorubas, embora estas divindades Bantus teriam como nome correto Inkince.Os Inkinces são para os Bantus o mesmo que os Orixás para os Yorubás e o mesmo que Vodum para os Jêjes. Não se trata da mesma divindade, cada Inkince, Orixá ou Vodum possui identidade própria e culturas totalmente distintas. A linguagem ritual originou-se predominantemente das línguas Kimbundo e Kikongo; são línguas muito parecidas e ainda utilizadas atualmente. O Kimbundo é o segundo idioma nacional em Angola. O Kikongo, provém do Congo, sendo também falado em Angola. Muito embora, mais recentemente, tenha vindo a público o Ibinda. Acreditamos pois, que sob a influência sofrida com a dominação angolana, o Ibinda hoje seja falado por uma minoria.No Rio Grande do Sul a raiz forte da Cabinda foi o Sr. Valdemar Antonio dos Santos, filho do Orixá Xangô Kamucá Baruálofina.Outros que se iniciaram pelas mãos de Valdemar de Xangô, e com sua morte passaram para as mãos de Mãe Madalena de Oxum foram: Pai Tati de Bará, Mãe Palmira de Oxum, Ramão de Ogum, Pai Mario de Ogum e Pai Nascimento de Sapata. Depois foram surgindo outros ícones da nação Cabinda, onde podemos citar Pai Romário de Oxalá, filho de santo de Mãe Madalena de Oxum; Mãe Olê de Xangô, mulher de Pai Tati de Bará; Pai Henrique de Oxum, enteado e filho de santo de Mãe Palmira de Oxum; Pai Adão de Bará, filho de santo de Pai Romário;Pai Cleon de Oxalá; Antonio Carlos de Xangô, alabê, teve sua iniciação pelas mãos de Pai Tati de Bará, Mãe Marlene de Oxum, filha de santo de Pai Romário; Hélio de Xangô, iniciado por Pai Adão de Bará;Pai Gabriel de Oxum, que foi um grande Babalorixá da Nação Cabinda, filho de santo de Romário de Oxalá; Enio de Oxum, também da casa de Pai Romário; Luiz da Oxum Docô, iniciado por Romário de Oxalá; Ydy de Oxum, iniciado por Henrique de Oxum, entre muitos outros que conservam, ainda, os fundamentos desta Nação tão importante nos rituais Africanos do Sul. 

   O Orixá Xangô é considerado Rei desta nação e,  juntamente com Oyá e Xapanã tem poder sobre os eguns. O culto aos Eguns é tão forte que na maioria dos terreiros desta nação, se encontra o assentamento de Igbalé e a maioria das casas faz cerimônias fúnebres e reverencia seus Egúnguns anualmente. Os filhos de Oxum, Yemanja e Oxalá, podem entrar e sair de cemitérios quando necessário for, sem nenhum prejuízo à sua feitura, já nas outras nações estes só entram no cemitério em extrema necessidade e com as devidas precauções.

Fonte:  Eduardo Cezimbra    

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